“Quando enfim penso que estou me acostumando, que estou te esquecendo, você ressurge de forma inesperada ocupando todos os espaços.”
(Caio Fernando de Abreu)
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Sabe, você pode viver aqui nesse peito se quiser. É apertado, escorregadio. Mas eu prometo te abrigar. Às vezes ele vai acelerar, e você vai se sentir em um terremoto, mas isso só vai acontecer quando você se lembrar de mim. E prometo que você não vai passar frio, porque esse corpo com a tua presença fica quente demais. Pode morar nesse peito confuso, mas que tem uma história maravilhosa pra te contar. Não precisa trazer mala não, prometo que vai ter tudo que você precisar! Mas vem, vem logo. Porque eu não quero ter que fechar as portas desse peito, porque se eu fechar, talvez você nunca mais possa entrar.
“Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.”
Caio Fernando de Abreu
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